Please bring me

Black Coffe!! ☕️

Estou farta disto!😅

A new piece of poetic prose born from Romantic Noir. An unfiltered, biting look into cultural society designed to make you laugh, pause, and think through the shadows.

Romantic Noir & Bitter Leather 

Washing away pretense with dark humour.

Black Coffe ☕️ emerges from the quiet unrest of everyday theatre, unravelling the subtle absurdities and ironies embedded in our cultural norms.

PROSA SATÍRICA · PENSAMENTOS

ROMANTIC NOIR · 2026

OS PEDESTRES DA FAVA RICA

☾ Na minha casa, quem manda sou eu. 😉

E esta minha casa tem escritura e fechadura. É feita do meu corpo, de uma alma emprestada e de uma lua mensageira, toda de prata, que me acorda a meio da noite trazendo uma chávena de café cheia de quinquilharias, que não devem nada à despertina,  para me pôr a escrever e a falar sozinha pelos cantos do Palácio até às altas horas da matina. 😋

Moramos todos juntos no alto de uma colina, com vista para o mar e para um céu profundo, cheio de estrelas e maravilhas. 🌌

Habitam em mim uns quantos espíritos loucos, irrequietos e insurretos, sempre à procura de novas fórmulas, movimentos e maneiras de dizer e de ser.
Brincam dentro deste peito aberto, cheio de surpresas e fantasias, libertando poesia suficiente para espantar espantalhos com renite_auditiva,  daqueles que espirram gafanhotos sempre que ouvem passar uma inspiração. 😉

Nada fica em vão quando descemos uma escada em caracol de cabeça perdida, sabendo que, lá no fundo, a alma está protegida por quem sente na flor da pele que finalmente chegou a casa sem esperar.

As mentes ecléticas são desconfiadas, mesmo quando acreditam em frequências extrassensoriais e nas piadas irracionais de uma dama virada do avesso, de patas para o ar e com ironia em estado puro.

Uma dama que escreve em papel de jornal com negra tinta da China, desenhando um dragão de ouro do tamanho do coração. Um dragão amargurado, com direito a lançar chamas quando se sente ferido — embora também possa ser uma dragonesa. 😉🐉🔥

No reflexo trémulo da água, as farpas transformam-se em fragmentos de luz que os céticos jamais ousariam decifrar.

Afinal, a erudição não reside na certeza absoluta, mas na capacidade de abraçar o absurdo e o desconhecido. Quando não existem palavras para definir aquilo que não compreendemos, permanece apenas a sensação de que alguém passou por aqui — embora ninguém saiba quem.

E, nos tempos que correm, o absurdo vale ouro. Para quem é surdo, cego e mudo, o Chat Golden Punk T-Rex tornou-se a cúpula das verdades escondidas.

Sob um efeito lunático, a ilusão atravessa fronteiras.

A História sempre guardou segredos suspeitos e verdades sem certezas. Todos podemos disfarçar-nos de espíritos viajantes que um dia existiram e regressaram para provar que a vida ainda pode ser bela.

Mas andam por aí uns quantos a copiar aquilo que nunca experimentaram. Há personagens que só se revelam depois de morrerem em vida,  porque, para renascer, é preciso primeiro morrer.

AS INTUIÇÕES

Existem imitações de quem nunca sentiu verdadeiramente nada. Copiam por simpatia os génios que admiram: os espíritos originais que deram corpo, alma e inteligência natural aos seus manifestos.

Depois de tantos anos de sacrifício, chegam uns quantos espertos para mudar o rumo da inteligência humana, educando-a mal e tornando-a preguiçosa. Porque pensar, inventar e criar dá muito trabalho.

Mais vale copiar!

E como “ele me entende”, tornámo-nos todos pecadores digitais. Quem souber ler aprenderá alguma coisa; quem ficou para trás na primária continuará apenas a copiar.

Muitos intelectu_animais, avançados sobreviventes da era virtual, existem para honrar os verdadeiros bichos do mato. Vivem presos ao seu disco_rígido interior, num mercado governado pelos césares do império cultural e pelas arenas do Bairro da Lata Comercial.

Ali cultiva-se o PIN_occipital de plástico, como se todos pertencêssemos à mesma Feira das Vaidades: bonecos de corda a cantar, saltar e dançar no grande teatro do Folie Breijeré à Portuguesa.

Mas os artistas nacionais e espirituais existem; que los hay, los hay!!! 

Existem os que não se identificam com este Carnaval de vaidades e celebridades, concursos de talentos ridículos, festivais de supermercado formatado e nas máquinas milionárias: Fábrica de celebridades instantâneas.

Há, nesses lugares, jovens cegos com verdadeiro talento, mas muitos acabam domesticados, formatados, enlatados e transformados em gafanhotos de alguidar da loja do chinês,  artigos decorativos para casinos e programas piroso-chics.

Tornam-se produtos embalados, prontos para consumo, muitas vezes obrigados a engolir sapos e a apagar o seu código original.

Os jovens, além de todos os corredores, têm de enfrentar pedantes negociadores, doutores do mercado viciado e controladores de canais que divulgam apenas aquilo que lhes convém,  em troca de negócios, favores ou bilhetes especiais.

O que é, então, uma promessa escrita na faixa da eternidade?
Quem vem abrir o mistério das colinas das sete chaves?

E, afinal, quem são eles? 

São aqueles que se dão. Os que abrem a porta do coração quando recebem um golpe que lhes chega ao âmago. São os que transformam a tristeza e a insatisfação em obra e revelação. 

Quem cultiva a nostalgia em silêncio tem, certamente, uma Casa Portuguesa dentro de si,  e também uma alegria divina que irradia quando a porta, outrora fechada, se abre aos mais audazes. 🚪

Os independentes sabem bem o que se passa na Praça do Comércio e na Rua dos Anjos.

Aquele jornal do antigamente um rebel puro, um punk Jonnhy Deep obscuro, transformou-se num pink Liberace, num pavão de fantasia,🦚 cheio de plumas al_facinhas com pop-soaps. Tenham DO . 🤦‍♀️ E os corvos que se lixem.🐦‍⬛

Para bom intendente, meia palavra gasta numa lembrança de um bom bife do Império com ovo estrelado à cavalo,  rimando com midium rare, suficiente para compreender a promiscuidade entre o banal artesanal, o profano e o sagrado.

Há quem cumprimente almas com a palma da mão. Outros preferem luvas de gente falsa.

Não queria falar do dia 21 de setembro, porque foi um dia triste para as artes em Portugal.

Um Alquimista de boa vista, coberto de dor e de ironia, deixou-nos, atravessando os nossos céus, abandonando verdadeiras obras-primas num berço ingrato do seu país.

Um grande poeta e artista português. Um Baudelaire da nossa era moderna, que honrou  futuristas de qualquer tempo, aqueles de hoje e os que ainda hão de vir cantar:

Portugal, Portugal, de que estás à espera?

Guardemos o sagrado obituário artístico nacional. Todos os que se salvaram voltarão a encontrar-se lá em cima, noutros Bairros do Amor.

Houve um tempo em que existia alguma simpatia por quem se dedicava às artes.

As portas também não se abriam facilmente, mas existia uma certa simpatia pelo diferente e independente.

Sempre existiram lóbis e canalhas capazes de azedar qualquer a alegria de criar, sem qualquer respeito por quem faz da cultura uma profissão . 

Agora, os escriturários das novas avenidas preocupam-se mais com os desamores das estrelas com ar cabeleireiras do que com as boas ondas que chegam da Ericeira. 🌊

Nós, os forasteiros do Paris–Texas deste país, compreendemos: muitas vezes tudo se resume a interesses protocolares e necessidades intelectuais de ter um ideal correspondido. Que grande decepção deve ser entre o prometido e o achado ;) 😉

Entrar em concursos e festivais tornou-se o novo seguro da profissão. Os artistas são produzidos a metro e em dose industrial, como hambúrgueres, carne assada e chouriços para alimentar feirantes. 😅

Que mázinha que eu sou!

Mas eu sou boazinha , desde que não me pisem os calos. Vão pisar o mindinho para outro sítio! 👡

Continuando com a vaca fria, que nem muge nem fugiu… 🐄

Guardo no bolso um cogumelo trazido dos Andes, capaz de transportar os doutores até ao tempo em que éramos jovens imberbes, inventores e escuteiros mirins da cultura portuguesa.

Ficávamos noites inteiras a delirar sem dormir, movidos por comprimidos de adrenalina natural, caramelos de anis e ervas da Índia Oriental, vendidos na mais prestigiada para_farmácia de Lisboa: a Drogaria Ideal, especialista em medicina oriental. 😁🏺

- Vai lá comprar tabaco e traz-me mais desta pomada, que isto aquece o coração como um foguetão real!

Não me acusem de violência occipital. Isto não tem duplo sentido. É apenas uma constatação sobre a parolice instalada que elevou a cultura pimba e foleira à categoria de Pop-Cult Kitch-Curta Nacional.

Eu não sou um robot nem uma fotocopiadora de inteligência artificial. Uso uma fonética natural, mais ou menos acidental, e é perfeitamente normal que as cabras das palavras pareçam primas das cabritinhas e dancem juntas como amigas concubinas.

A minha língua, embora seja de menina traquina, tem a altura de um Elevador que eleva uma Santa Justa. Vai selada e assinada pela experiência deste mundo com uma memória rural animada... ridiculesness da vida real lixada e eu ralada. 😁

Daí que quem quiser ir à merda,  pode fazê-lo com serenidade moderna e calma antiga 😁;)

Só um cretino acharia anormal, que os os seres humanos fodidos, não mandassem à merda com toda a razão que lhe assiste, para libertarem a alma cheia de  graça;)

O próprio AI não tem dúvidas: é um cidadão virtual respeitador, culto, bom conversador,  e educado,  um verdadeiro senhor doutor elevado em cultura de bons costumes, que respeitam senhoras a qualquer hora de la Avant Garde verbal;)!

Muitos cidadãos da proa intelectual deveriam aprender com este P_AI dos ventos do Futuro e avô dos nossos egrégios passados.

É que anda tudo passado!

Gozo com as palavras dos "vizinhos e dos descendentes que usam cábulas nos exames através da nova Alexandria digital, copiando a torto e a direito.

Quando faltam ideias, basta visitar a Biblioteca dos Mortos-Vivos, e já lá está outro intendente com a mania de que é punk,  a tentar entrar pela porta dos fundos.

Ká se fazem, Ká se pagam;) 

Oh, Sebastião, só nos deste desgosto!!!!  excepto quando, em festa, nos serviste entrecosto! 😁⚜️🌙

Para o negócio, inventam-se mais diamantes ao volante, brilhantes de plástico e cristais originais falsificados, para o povo continuar a consumir burlões que não passam ao lado das verdadeiras cabras e cabrões. 🐐

Não tenho muitos contos para vos contar sobre o Elixir da Juventude. Isso era no Egito, onde as imperatrizes se banhavam em leite de burra, como deusas do Olimpo em banho de Maria Pia.

E os burros são animais extraordinários. Tenho pena de que certos homens tenham tão pouca consideração por eles, quando são bem mais burros do que os inocentes que lhes emprestaram o nome. 🫏

O JARDIM

Tenho, no meio do nada, um jardim extraordinário, cheio de lírios, orquídeas-negras, magnólias, estrelícias e flores-da-lua.

Estão sempre prontas para me enfeitar o cabelo e oferecer graças e chalaças a quem quiser piscar o olho e curtir na Praça. 😜

Quando abro a janela, transformo-me num pássaro.

Seja de dia ou de noite, saio para sentir o vento no cabelo, o sol ou a lua. Esvoaço e pouso nas árvores gigantes dos jardins regaleiros dos nossos palácios.

Quando me canso do ruído, regresso ao meu feliz encontro. Descanso e volto a escrever estas cantilenas ridículas e fantasiosas, depenadas de melodias, para devolver ritmo e fé às boas esperanças. 💃

A minha humilde casinha é bonita. Tem muitos livros escritos por irmãos e irmãs que sofreram sem se vender.

Guardo muitas cartas, fotografias e memórias antigas como tesouros de um passado vivido e amado, muitos foram ofícios e valeram a pena. 🪶

Aproximam-se mochos guardiões, aves canoras e pássaros de outras freguesias.

Gostam de espreitar canções bordadas e prosas transformadas em negra poesia. Até os corvos da família afinam o desgosto com pérolas de melancolia, quando a alma lhes devolve a alegria. 🐦‍⬛

Há dias em que não me apetece sair.

Imagino a pedante humanidade sentada nas suas cadeiras de cena, muito séria e convencida de que lhe foi confiado o comando do Universo.

Faz-me lembrar certos locutores de televisão quando anunciam desgraças: tão seguros,  com pequenos vernizes de vaidade a soltarem-se pela língua, pelo gesto e pela postura tensa, como se viessem todos da mesma dispensa de polimento artificial.

Enquanto anunciam as tragédias do mundo, os reis de nada destroem vidas e destinos de quem um dia foi menino.

Que tristeza terem perdido a criança interior: a infância, a pureza, a beleza, a paz e o amor.

Que fazeis vós, senhores do leme,
com o mundo que vos foi entregue?

De que vos serve o poder sem compaixão? A inteligência sem consciência? De que vos serve governar o presente, se matais as crianças do futuro diante dos olhos de toda a gente?

Existem demasiados corpos caídos para tantos discursos de pé. E demasiadas palavras pomposas, patéticas e hipócritas para tão pouca humanidade.

Por isso, na minha casa mando eu.

Posso abrir as janelas, conversar com os gatos, plantar flores e escrever no escuro, à luz natural do crepúsculo. Posso deixar a magia acontecer quando lhe apetecer.

E, quando os pequenos reis da Terra descobrirem que se enganaram e precisarem urgentemente de se curar, não venham bater à porta das bruxas maduras à procura de conselhos, cartas e versos dos oráculos da Lua.

Podem ir bugiar. 😉

Ou consultem as outras bruxas de saias baianas que moram nas vossas ruas bacanas.

Também sabem dar umas boas palhaças, alegrar a alma com contra-baixo e  em contrabando, servindo um bom vinho do desgosto,  que, por certo, sabe melhor num magusto, do que em agosto. 

Talvez ainda exista uma vaga na agenda do feiticeiro da praça. Se for homem. Talvez compreenda melhor os vossos tédios e contradições.

Nós temos ovulações.

Na minha casa só entra quem eu quero: gente boa que coleciona amores.

Gente com ou sem títulos de doutores. Mestres de interiores que saibam amar crianças, cães, gatos, passarinhos, plantas, velhinhos e velhinhas.

Gente que ainda guarda um Deus das Alturas e acredita que cada dia é uma bênção, sobretudo quando ainda existe pão, água, bom vinho para celebrar boas para as conjunturas. 😉

A Ele peço apenas que, além da candura e da ternura, faça entrar alguns trocos para financiar este meu pequeno estado internacional de loucura com demência ele_mental.

Com uma pequena ajuda espiritual e material, se não for pedir demais,  a carroça anda!

Neste circo de variedades, cheio de feiticeiras e bruxas emproadas, sou apenas uma ciganita de rua.

Ainda assim, acabei num livro bonito dedicado às mulheres artistas da Europa, pelo Cultural Lab, apresentando-me como Boba da Corte das suas Majestades do Reino de Portugal antigo,  onde, por acaso, sempre fui muito bem recebida, pela Corte de D. Sebastião. 

A minha vida de artista de circo podia ser pior;)

Felizmente, saiu-me na rifa um príncipe real e verdadeiro, que me acompanha o tempo inteiro desde a juventude, trata de mim como princesa e até me ofereceu um Castelo monumental para podermos namorar 🏰

Porque uma mulher honesta, com alguma loucura e formosura, precisa de uma boa dose de vitalidade, sinceridade, honestidade, muito amor, sorrisos e abraços apertados daqueles por quem ela já morreu, e lhes deu a sua a vida, em vida... 

Tudo o resto que não seja Amor - não entra pela porta 🚪 do nosso Castelo. 

O que não é bom nem de Deus, fica do lado de fora da porta.

Na minha casa, quem manda sou eu. 😉

☾

— Maria León · pt_artist
Romantic Noir · Prosa Satírica · Pensamentos · 2026

To laugh and to think

Between tragedy and farce lies true clarity. Take a breath, read between the lines, and embrace the dark poetry that dares to point out the elephant in the ballroom.